terça-feira, 25 de janeiro de 2011

REFLEXÃO SOBRE A ATUALIDADE DA PROFECIA CRISTO, NA MEDIDA EM QUE RESPONDE AOS QUESTIONAMENTOS E DESAFIOS QUE A REALIDADE ATUAL LEVANTA À FÉ CRISTÃ

Em Jesus tudo se cumpriu, as promessas e a esperança. Mas nós ainda estamos longe como comunidade de crentes. Podemos ver que as realidade ainda  continuam bem atuantes, a opressão, as injustiças, as tensões histórica, a manipulação do sentido cristológico parece estar em evidência muitos são os martírios que nos levam a questionar mediante aos desafios apresentados à Igreja de Jesus Cristo.
Esse mesmo Jesus Cristo que  é igualmente o novo Templo. Depois de Jeremias cuja profecia da destruição do edifício magnífico, orgulho de Israel, que se tornou um  “antro de ladrões”   e foi   restaurado em três dias, como uma forma de simbolizar que o Jesus o Templo Sagrado do Pai seria morto (destruído) e  restaurado em três dias (ressuscitaria em três dias), (Jo 2,19-22)
            Jesus continua através de Evangelhos escritos pelos apóstolos e a própria praticidade da Igreja a denunciar os erros dos governantes atuais,,  adverte  contra os falsos profetas , prevê o final dos  tempos ( Mt 24, 5 .11. 24), e a sua vitória sobre o Anticristo e os falsos profetas, que serão atirados ao fogo (Ap 19,20; 20,3.10).
            Percebemos que num mundo globalizado as situações de crise são na maioria dos casos de lógics econômica e política como também culturais provocando uma releitura das promessas que tem a ver com o fim do mundo e o advento do novo mundo, em que os grupos agora marginalizados, oprimidos, perseguidos, faltam com sua fidelidade a Deus”, porém já foram salvos pelo Filho do Homem, que se revela através do bem mais precioso deixado para todos os que querem a salvação: a Eucaristia, promessa cumprida do Pai e do próprio Jesus Cristo. Na busca dessa compreensão, os dias atuais em que o mundo com sua era tecnológica e globalizada, não tem como desconsiderar a visível atuação de Jesus Cristo através do seu Espírito Santo bem atuante na Igreja e em meio ao Povo escolhido de Javé.
            São muitos os desafios, seu movimento é essencialmente inclusivo, abrange a sociedade como um todo especialmente os pequenino que vivem em grande miséria. (Mt 25,31-46 (v. 40.45) os últimos da fila à procura de empregos  (Mt20,1-15 (v. 8.12.14) ou os incultos sem formação (Mt 11,25).
            Podemos citar alguns exemplos:
1-Os pobres – os economicamente descartáveis, desinteressante para a produção e o consumo.. Pessoas mal remuneradas, com baixa renda ou sem moradia – os mais necessitados ( Lc 221,1; 2 Cor.9,9)
2. as prostitutas e adúlteras – as mulheres marginalizadas socialmente e moralmente, sem voz e sem vez, e que na atualidade em que vivemos, dois mil anos depois da era cristã, a situação ainda é permanente, a mulher continua sendo espoliada, marginalizada pela casta machista de uma sociedade imanente. (Jo 8,1s; Mtu 21,31-32)
3- Os pecadores e  publicanos -  hoje as pessoas que ficam à margem da sociedade, considerados afastados da casa do Pai, como os divorciados, os filhos de mães solteiras, os gays, as mães solteiras, entre tantos.  Jesus os acolhe. ( Mc 2,15-17par; Lx 7,34; 15,1-2);
4- Os possessos – os estigmatizados socialmente – considerados como possuídos pelo diabo, hoje os chamados marginais, traficantes, assassinos, não só os que matam o corpo, mas existem os que matam a alma, precisam ser exorcizados por Jesus, Mc 5, 15; 7, 35; Lc 11,20).
5- Os samaritanos- são representados pelos estigmatizados por situações religiosas. (Lc 17,11s; 10,25s).
Estes poucos exemplos dá para nos colocar diante de uma reflexão desafiadora  que nos permite compreender o movimento de Jesus na sua essência includente, que ampara, defende e até mesmo enaltece àqueles que correm o maior risco de rejeição, discriminação e exploração social e religiosa. Podemos incorporar ainda os perseguidos (Mt 5, 10-12; os que choram e passam fome (Mt 5,4.6) os forasteiros e nus (Mt 25,38), os enfermos de todos os tipos (Mt 25,39); Mc 1,32-34), as crianças (Mc 9,33-27; 10, 13-16), as mulheres em geral, os leprosos ( Mc 1,32-34s), os gentios (Mt 8, 11-12). Quanto aos perseguidos atualmente, a Igreja é lavada pelo sangue de seus mártires. Desde sempre, o Reino de Deus é  acompanhado de sofrimento, dor,  por aqueles que a exemplo de Jesus toma as dores dos pequenos e oprimidos: Padre Josimo  Morais Tavares, (Março de 1986), entre tantos outros.
            Mediante a tantas situações ,podemos perceber nesse grande líder Jesus Cristo, como é querido pelo povo (Lc 11,27), manso, humilde (Jo 13,14-16), severo ( Mt24,4-33), compassivo (Mc 1,41), homem de oração, Filho de Deus, Messias e profeta ( Lc 24, 19b).
            Ele denunciou muitas coisas, os falsos profetas (Mt 7,15-20); aquele que dá esmola e anuncia o feito ( Mt 6, 2-4); o jejum dos hipócritas (Mt 6, 16);os escribas e fariseus (Mt 23, 1-36); a cidade de Jerusalém ( Mt 23,37; Lc 13, 34-35);Herodes Antipas ( Lc 13,31-33);o Templo de Jerusalém e a instituição religiosa que esse representava (Jo 2,13-21; Mc 13,1-4); os vendilhões do Templo; a discrimanção da mulher.
            Jesus apresenta várias soluções que viabilizam as mudanças nas estruturas sociais do seu tempo e dos tempos que virão, revelou o Reino materno de Deus (Lc 15,3-32):
            - arrepender-se e crer no Evangelho (Mc 1,15);
            - dar esmola e jejuar em segredo ( Mt 6,3-4.17);
            -abandonar-se à Providência ( Mt 6, 25-34);
            - não julgar  ( Mt 7);
            - rezar sempre ( Mt 6, 7-15);
            - cumprir a Lei ( Mt 5, 17-19);
            -curar os enfermos (  Mc 1,32ss)
            - implementar o reino de Deus ( Mc 1,14)
            - o julgamento final ( Mt 25,31-46)
            - a sua crucifixão como sinal de salvação ( Mc 8, 31-33);
- ter cuidado com as riquezas ( Mc 10, 23-27)
- despertar a consciência adormecida do povo, em relação aos fariseus, escribas, saduceus, Herodes, César (Mc 8,15; 12,38-40;Lc 13,31-32; Mt 7,15-20);
            - dar testemunho do Evangelho perante governadores e reis ( Mc 13,0-10);
- ter uma mística revolucionária ( Mt 5 1-12, );
- a destruição de Jerusalém ( Mc 13, 14-23);
- a destruição do Templo de Jerusalém ( Mc 13,1-3);
- fazer todos discípulos seus ( Mt 28, 19-20).
É notório  que a pessoa cristã  possui uma escala de valores norteada por dois princípios  fundamentais : o primeiro princípio: a) a fidelidade a Deus e combate a toda espécie  de idolatria , e b) a amor ao próximo e combater a tudo que lhe possa ser prejudicial ou desonrar a dignidade que lhe foi atribuída por Deus (Mc 12,28-34; Rm 13,8-10). O segundo principio se desdobra em dois sub-princípios:  como defesa da vida ( Mc 3,1-6; Jo  10,10), da verdade ( Jo  18,37), da igualdade, da  partilha, etc.  O exercício da cidadania materializa-se numa espiritualidade opositora ao projeto de  uma nova sociedade solidária, disposta a custo de perdas, perseguições e da própria vida (Mc 9,34-37; Mt 5, 10-12). O próprio exercício da cidadania é ver o mundo em sua realidade pelas lentes da Fé e com os raios da solidariedade de Cristo, renunciando as alianças baratas de grupos partidários políticos e governamentais
Trazendo para a realidade atual podemos dizer que a prática de Jesus ao defender a vida sobre o culto e a propriedade (Mc 2, 23-28), ao apresentar a Deus como o Deus da vida, estaria orientando que a sociedade  de hoje se organize a favor da vida  em especial pela vida dos pobres.
A experiência de Jesus Cristo é esclarecedora para todos os tempos, provoca a mudança de prática, a conversão através de seus ensinamentos que só ocorre a medida em que as pessoas estão dispostas a arcar com as perdas predispostas para certas renúncias ( Mc 8, 34-37; 10,28-29).
Esse mesmo Jesus obediente  ao Pai, e com  os mesmos objetivos salvífico e na condição de Filho de  Deus, sucede aos profetas como o último mensageiro de Deus, movido pelo Espírito Santo de Deus confirmando sua ação profética proferida: “O Espírito  do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc 4,18-19), apresenta soluções para um Reino de justiça, paz e liberdade e a esperança de  um novo tempo eternizado em  todos aqueles que Nele acreditam.
As perspectivas salvíficas estão fundamentadas  e bem detalhadas no Novo Testamento e nas realidades  que se apresentam na própria Palavra do Verbo que se fez carne e habitou entre nós, criando algo novo cujas exigências estão no compromisso visível realizado em Jesus Cristo,o Filho de Deus vivo, esse profeta messias que tem a função de juiz, o rei dos judeus, aquele que participa da realeza de Deus e que tem poder sobre os demônios e todos os elementos. Sobre ele os céus se abriram: ele que recebeu a sabedoria e a revelação de Deus, o Espírito Santo de Deus, com a condição de se manifestar de fato, em mensagens, palavras e ações, como o “verdadeiro profeta dos últimos dias” e anuncia a boa nova para a salvação dos oprimidos.


                                                           Margarida Maria Viana Sales
                                                     Teologa/Psicopedagoga/Profa. História

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